segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ditos populares: origem e explicações

Outra pérola que encontrei na Revista Língua Portuguesa de Setembro de 2010, no nº 59 (p.22). Nesta matéria, entitulada "Mitos virtuais", fala-se do cuidado que as pessoas devem ter ao confiar em tudo que é encontrado na internet, pois muitos sites propagam mitos sobre palavras e até corrigem ditos populares consagrados. Vejamos alguns deles publicados na revista (autor: José Augusto Carvalho):

"Quem tem boca vaia Roma x Quem tem boca vai a Roma
O correto é "vai" (verbo ir), sem "vaiar". A frase vem das peregrinações a Roma, daí palavras como "romaria" e "romeiro", associadas à peregrinação.

Ter bicho no corpo inteiro x Ter bicho carpinteiro
A correta é a segunda frase, referência, pelo linguista José Leite de Vasconcelos (1858-1941), ao oxiúro, parasita que causa pruridos anais e movimentos sacudidos. 

Batatinha quando nasce... Espalha a rama pelo chão x Se esparrama pelo chão
Corrigiram o verso, a internet propagou a nova versão, mas o correto mesmo é "se esparrama pelo chão".

Quem não tem cão caça como gato x Quem não tem cão caça com gato
Caçar como gato, isto é, "sozinho". Mas o correto mesmo é "quem não tem cão caça com gato". 

Corro de burro quando foge x Cor de burro quando foge 
A primeira forma já foi sugerida por Castro Lopes (1827-1901) para "corrigir" a forma adequada, em que "burro" designa a cor vermelha que um fujão apresenta, e não o animal; de "burro" (cor), temos "borro", carneiro entre 1 a 2 anos; "borracho", pombo sem penas, pela cor avermelhada; e provavelmente "borrega" (ovelha de 1 ano).

Esculpido e encarnado x Cuspido e escarrado
Lição de Duarte Nunes de Lião, século 16: "cuspido e escarrado" veio do francês, em que cracher (escarrar) também é "identidade", daí crachat (escarro), que originou "crachá". Em inglês, spit (cuspo) é usado como identificação."

Sobre livros e bebês

Mexendo em algumas revistas que estavam no armário, comecei a folhear as edições da Revista Língua Portuguesa que tenho guardadas. Encontrei uma matéria publicada em Setembro de 2010, nº 59, em que aborda o quanto é importante que a família transmita o hábito da leitura para as crianças desde que são bebês, o que faz melhorar seu futuro desempenho escolar.

"LER PARA CRIANÇAS COM MENOS DE UM ANO MELHORA DESEMPENHO ESCOLAR FUTURO.

Quem pensa que ler para bebês é perda de tempo pode estar redondamente enganado. Estudos provam que essa prática, feita com regularidade desde a tenra infância, pode melhorar o desempenho escolar das crianças. De acordo com David Dickinson, especialista em alfabetização pela Universidade de Harvard, não se trata exatamente de ler narrativas como as de fadas para bebês com menos de um ano, mas dar-lhes livros com imagens para que folheiem.
Dickinson apresentou na última edição da Bienal do Livro de São Paulo estudos que relacionam a leitura precoce ao desenvolvimento da linguagem.
Constatou-se que crianças com menos de 3 anos, cuja família possui hábito de leitura, demonstram aos 10 anos um desempenho escolar melhor. 
(Fonte: O Estado de S.Paulo)"

sábado, 24 de dezembro de 2011

Verbos regulares e irregulares

          Quando conjugados, os verbos podem ou não apresentar variações de forma nos radicais e nas desinências. Assim, de acordo com suas flexões, são classificados em verbos regulares ou verbos irregulares. Observe alguns verbos da 2ª conjugação:

radical  terminação             radical   terminação              radical    terminação
corr      er                          viv        er                           com       er
corr       o                           viv        o                            com       o
corr       es                          viv       es                           com       es
corr       e                            viv       e                            com       e
corr       emos                      viv       emos                      com       emos
corr       eis                          viv       eis                          com       eis
corr       em                          viv       em                         com       em

     Os verbos que não apresentam alteração no radical e têm as desinências idênticas às dos verbos que seguem o modelo de sua conjugação são chamados verbos regulares. Portanto, os verbos correr, viver e comer são considerados regulares.
     Veja outros exemplos de verbos regulares:

1ª conjugação: beijar, calar, copiar, estudar, ficar, jogar, lavar, pular, tocar, etc.
2ª conjugação: aprender, bater, entender, esconder, escrever, prometer, vencer, etc.
3ª conjugação: concluir, diminuir, evoluir, exibir, incluir, possuir, etc.

     Agora, compare os seguintes verbos da 2ª conjugação:

radical   terminação           radical    terminação            radical     terminação
diz         er                        perd       er                        faz           er
dig         o                         perc        o                         faç           o
diz         es                        perd        es                       faz           es
diz         -                          perd        e                        faz            -
diz         emos                    perd        emos                  faz           emos
diz         eis                        perd        eis                      faz           eis
diz         em                        perd        em                     faz            em

     Os verbos que apresentam alterações no radical e/ou nas desinências são denominados verbos irregulares. Portanto, os verbos dizer, perder e fazer são considerados irregulares. 
     Veja outros exemplos de verbos irregulares.

1ª conjugação: dar, estar, odiar, passear, presentear, recear, semear, incendiar, etc.
2ª conjugação: caber, crer, dizer, fazer, poder, querer, ser, saber, ter, trazer, ver, etc.
3ª conjugação: cobrir, dormir, fugir, ir, medir, mentir, ouvir, pedir, sentir, vir, divertir, etc.

Fonte: SOUZA, Cássia Garcia de; CAVÉQUIA, Márcia Paganini. Linguagem criação e interação: 7º ano. 6. ed. São Paulo. Saraiva, 2009
    

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

As variedades linguísticas

     Cada um de nós começa a aprender a língua em casa, em contato com a família e com as pessoas que nos cercam. Aos poucos vamos treinando nosso aparelho fonador (os lábios, a língua, os dentes, os maxilares, as cordas vocais) para produzir sons, que se transformam em palavras, em frases e em textos inteiros. E vamos nos apropriando do vocabulário e das leis combinatórias da língua, até nos tornarmos bons usuários dela, seja para falar ou ouvir, seja para escrever ou ler.
     Em contato com outras pessoas, na rua, na escola, no trabalho, observamos que nem todos falam como nós. Isso ocorre por diferentes razões: porque a pessoa vem de outra região; por ser mais velha ou mais jovem; por possuir menor ou maior grau de escolaridade; por pertencer a grupo ou classe social diferente. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades linguísticas.
 
     Variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as condições sociais. culturais, regionais e históricas em que é utilizada.

     Entre as variedades da língua, existe uma que tem maior prestígio: a variedade padrão. Também conhecida como língua padrão e norma culta, essa variedade é utilizada na maior parte dos livros, jornais e revistas, em alguns programas de televisão, nos livros científicos e didáticos, e é ensinada na escola. As demais variedades linguísticas - como a regional, a gíria, o jargão de grupos ou profissões (a linguagem dos policiais, dos jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas etc) - são chamadas genericamente de variedades não padrão.
         Apesar de haver muitos preconceitos sociais em relação a variedades não padrão, todas elas são válidas e têm valor nos grupos ou nas comunidades em que são usadas. Contudo, em situações sociais que exigem maior formalidade - por exemplo, uma entrevista para obter emprego, um requerimento, uma carta dirigida a um jornal ou uma revista, uma exposição pública, uma redação num concurso públicoo -, a variedade linguística exigida quase sempre é a padrão. Por isso é importante dominá-la bem.

Onde se fala melhor o português no Brasil?

           Você já deve ter ouvido esse tipo de pergunta. E também respostas como "no Maranhão", "no Rio de Janeiro", "no Rio Grande do Sul", justificadas por motivos históricos, sociais, culturais. Porém, de acordo com a visão moderna de língua, não existe um modelo linguístico que deva ser seguido, nem mesmo o português lusitano.
           Todas as variedades linguísticas regionais são perfeitamente adequadas à realidade onde surgiram. Em certos contextos, aliás, o uso de outra variedade, mesmo que seja a língua padrão, é que pode soar estranho e até não cumprir sua função essencial de comunicar.

FONTE: CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens, volume 1: ensino médio - 5. ed. - São Paulo, Atual, 2005   
    

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Uso do por que, por quê, porque e porquê

  • Usa-se por que:
a) nas interrogativas diretas e indiretas:
    Por que você demorou tanto?
    Quero saber por que meu dinheiro está valendo menos.

b) sempre que estiverem expressas ou subentendidas as palavras motivo, razão:
     Não sei por que ele se ofendeu.
     Eis por que não lhe escrevi antes.

c) quando a expressão puder ser substituída por para que ou pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais:
     A estrada por que passei está esburacada.

d) em títulos:
    Por que o governo substituiu o ministro da economia

  •  Usa-se por quê:
       quando a expressão aparecer em final de frase ou sozinho:
       Ria, ria, sem saber por quê.
       Brigou de novo? Por quê?
  • Usa-se porque:
       quando a expressão equivaler a pois, uma vez que, para que:
       Não responda, porque ele está com a razão.

  • Usa-se porquê:
       quando a expressão for substantivada, situação em que é sinônimo de motivo, razão:
       O diretor negou-se a explicar o porquê de sua decisão.


Fonte: CEREJA, W.R.; MAGALHÃES, T.C. Português - Linguagens: volume 1: ensino médio.. Atual Editora. 5ª edição. São Paulo. 2005   

sábado, 12 de novembro de 2011

Uso da crase

             Este texto retirei do site do UOL Educação, o qual foi escrito por Dílson Catarino (professor de gramática da língua portuguesa, literatura e redação, desde 1980. Graduado em letras e pedagogia, ele tem pós-graduação em psicopedagogia).
             Crase é um assunto que acaba caindo em todo tipo de prova (Vestibular, Etec, concursos públicos entre outros) e causa muitas dúvidas em qualquer ser humano falante da língua portuguesa.
Espero que seja uma ajuda em seus estudos!!!!

Até as 22h ou até às 22h?

"O resultado das eleições será conhecido até as 22h".

A maioria dos estudantes, ao escrever uma frase parecida com a apresentada no título, ficaria em dúvida quando a colocar ou não o acento grave indicador de crase em "as 22h". Acredito que colocariam o acento. E você, caro internauta, colocaria o acento grave ou não?

Vamos à explicação: o vocábulo crase provém do grego krâsis, cujo significado é ação de misturar, mistura de elementos que se combinam num todo. Para nós, lusófonos, é a contração da preposição a com os artigos definidos a, as ou com os pronomes demonstrativos a, as, aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo:
  • a + a = à
  • a + as = às
  • a + aquele = àquele
  • a + aqueles = àqueles
  • a + aquela = àquela
  • a + aquelas = àquelas
  • a + aquilo = àquilo
Vejamos alguns exemplos:

1. "Nunca obedeci àquele homem, pois não o respeito" (quem obedece, obedece a alguém);
2. "Assisti à peça teatral escrita por Mário Bortoloto" (quem assiste, no sentido de ver, assiste a algo);
3. "Não aspiro àquela vaga, mas à que foi ocupada por Oriolando" (quem aspira, no sentido de desejar muito, aspira a algo);
4. "Cheguei ao cinema às 19h50" (chegar, ao indicar hora exata, exige a preposição a).

Ocorre, porém, que, em muitas situações, outra preposição é usada, e não o a. Quando isso ocorrer, não haverá o acento indicador de crase, em virtude da falta da preposição a. Vejamos alguns exemplos:

1. "Cheguei após as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição após;
2. "Estou aqui desde as 7h": não há o acento indicador de crase, pois, no lugar da preposição a, usou-se a preposição desde.

Há, porém, uma preposição que admite a preposição a ao seu lado: é a preposição até. Vejamos alguns exemplos:

1. "Ontem, fomos até o parque caminhar" (ou até ao parque);
2. "Dormi até o meio-dia" (ou até ao meio-dia).

Tal combinação não é obrigatória; é, aliás, desnecessária. A combinação de até com a acontece com o objetivo de evitar ambigüidade, ou seja, evitar duplo sentido na frase, pois o vocábulo até, além de ser preposição, também pode ser advérbio com o sentido de inclusive. Às vezes, não há como saber qual dos dois foi usado.

Veja o seguinte exemplo:
"A enchente inundou o bairro todo, até a igreja"
Não dá para saber o sentido exato da frase. Há duas situações:
- A enchente inundou o bairro todo, mas não a igreja: chegou até ela e parou;
- A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja.

Se a primeira opção for a verdadeira, até é preposição; se for a segunda, advérbio. Caso a verdadeira seja a primeira opção, recomenda-se o uso da preposição a em combinação com até, evitando, assim, o duplo sentido: "A enchente inundou o bairro todo, até à igreja".

Caso a verdadeira seja a segunda opção, recomenda-se o uso de inclusive: "A enchente inundou o bairro todo, inclusive a igreja".

A frase apresentada no início do texto não apresenta ambigüidade. Pode-se, portanto, usar o acento indicador de crase, mas não há necessidade dele.

Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/pegadinhas/ate-as-22h-ou-ate-as-22h.jhtm>, acesso em: 12 nov. 2011

Algumas dicas para interpretar textos

            Encontrei este texto e dicas em outro blog, mas como achei muito interessante e útil, reproduzirei aqui para meus leitores. Os interessados em ver mais coisas podem consultar o site que colocarei ao final do texto, como referência bibliográfica. Boa leitura e aproveitem as dicas!!!!


"A literatura é a arte de recriar através da língua escrita. Sendo assim, temos vários tipos de gêneros textuais, formas de escrita; mas a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpretação de textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é muito difícil. Concordo. Se você tem pouca leitura, consequentemente terá pouca argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um grande medo de interpretar. A interpretação é o alargamento dos horizontes. E esse alargamento acontece justamente quando há leitura. Somos fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de nossas histórias, muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes você não leu algo e pensou:"Nossa, ele disse tudo que eu penso." Com certeza, várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pensamentos com os pensamentos dos autores, mas para que aconteça, pelo menos não tenha preguiça de pensar, refletir, formar ideias e escrever quando puder e quiser.
A prática das escolas em relação à escrita e interpretação têm mudado, mas a passos lentos, aliás como tudo que acontece na educação. Ainda temos professores em sala de aula que cortam a veia literária de seus alunos com comentários medíocres, que permitem apenas uma interpretação possível, a que vem no livro do professor com a tarja "uso do professor/venda proibida".
Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso país é uma tarefa àrdua, mas acredite, valerá a pena para sua vida futura. E, mesmo, que você diga que interpretar é difícil, você exercita isso a todo momento. Exercita através de sua leitura de mundo. Você sabe, por exemplo, quando alguém lhe manda um olhar de desaprovação mesmo sem ter dito nada. Sabe, quando a menina ou o menino está a fim de você numa boate pela troca de olhares. A todo e qualquer tempo, em nossas vidas, interpretamos, argumentamos, expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a) professor(a) dizer "Vamos agora interpretar esse texto" para que as pessoas se calem. E ninguém sabe o que calado quer... pois ao se calar você perde oportunidades valiosas de interagir e crescer no conhecimento. Perca o medo de expor suas idéias. Faça isso como um exercício diário mesmo e verá que antes que pense, o medo terá ido embora.

Vou colocar aqui algumas dicas para quando você interpretar um texto:

  1. O autor escreveu com uma intenção - tentar descobrir qual é ela é a chave.
  2. Leia todo o texto uma primeira vez de forma despreocupada - assim você verá apenas os aspectos superficiais primeiro
  3. Na segunda leitura observe os detalhes, visualize em sua mente o cenário, os personagens - Quanto mais real for a leitura na sua mente, mais fácil será para interpretar o texto.
  4. Duvide do(a) autor(a) - Leia as entrelinhas, perceba o que o(a) autor(a) te diz sem escrever no texto.
  5. Não tenha medo de opinar - Já vi em sala de aula muitos alunos terem medo de dizer o que achavam e a resposta estaria correta se tivessem dito.
  6. Visualize vários caminhos, várias opções e interpretações - Só não viaje muito na interpretação.Veja os caminhos apontados pela escrita do(a) autor(a). Apegue-se aos caminhos que lhe são mostrados.
  7. Identifique as características físicas e psicológicas dos personagens - Se um determinado personagem tem como característica ser mentiroso, por exemplo, o que ele diz no texto poderá ser mentira não é mesmo? Analisar e identificar os personagens são pontos necessário para uma boa interpretação de texto.
  8. Observe a linguagem, o tempo e espaço - A sequência dos acontecimentos, o feedback, conta muito na hora de interpretar.
  9. Analise os acontecimentos de acordo com a época do texto - É importante que você saiba ou pesquise sobre a época narrada no texto, assim, certas contradições ou estranhamentos vistos por você podem ser apenas a cultura da época sendo demonstrada.
  10. Leia quantas vezes achar que deve - Não entendeu? Leia de novo. Nem todo dia estamos concentrados e a rapidez na leitura vem com o hábito.
Bem, não digo que seguindo essas dicas você agora interpretará todo texto que ler, mas já é um caminho. E, lembre-se:o hábito da leitura auxilia automaticamente a sua maneira de interpretar."
 
(Disponível em <http://www.analisedetextos.com.br/2010/01/10-dicas-para-interpretar-textos.html>. Acesso em: 12 nov. 2011)